09/08/2017 às 13h40min - Atualizada em 09/08/2017 às 13h40min

Virgula: pequeno sinal que pode salvar sua vida.

Denise Leal - (Português Leal)

Imagine que você esteja no tempo em que as pessoas enviavam carta: Antônio está disposto a tirar a vida de Aurora, sua amante. Ele não quer realizar o serviço, mas escreve a Carlos, seu pistoleiro, dizendo: “Não merece viver. Não, mate!”. No entanto, surge  Pedro que, antes da mensagem chegar ao destinatário, altera a vírgula do texto, deixando assim: “Não, merece viver. Não mate!”. Certamente, Aurora não morrerá, após esse feito heróico.

E aí? Percebeu como esse elemento pode mudar uma história?

A virgula é o sinal de pontuação que indica uma pequena pausa na leitura, o que equivale a uma mudança na entonação.  Ela é responsável pelas enfadonhas “respiradinhas”, no meio do texto, que separa os elementos de uma frase.

Ciente das dúvidas que cercam a maioria dos falantes da língua portuguesa sobre o assunto, preparamos este conteúdo especialmente para você.

 

USE A VÍRGULA SEMPRE QUE FOR NECESSÁRIO:

> Isolar o aposto (termo que se junta a outro para explicá-lo melhor) e o vocativo (termo que serve para chamar, invocar ou interpelar algum ouvinte).

Aposto: “Ontem, segunda-feira, passei o dia com dor de cabeça.”

Vocativo: “José, feche a porta!”

“Não fale alto, Maria!”

“A vida, minha amada, é feita de escolhas.”

 

> Isolar expressões explicativas, corretivas ou continuativas, representadas por: isto é, por exemplo, ou seja, etc.

“Chorar pelo amor dela foi, sem dúvida, um erro.

 

> Isolar o nome de um lugar anteposto à data.

Redenção do Gurgueia, 09 de agosto de 2017.

 

> Isolar um adjunto adverbial antecipado ou intercalado entre o discurso.

À noite, faço um curso de inglês intensivo.”

“Sem que ninguém esperasse, repentinamente, ela apareceu.”

 

> Enumerar mais de dois elementos.

João, Maria, José e Pedro foram ao parque.”

 

> Separar orações coordenadas sindéticas (marcadas por conjunções) e assindéticas (ausentes de conjunções).

Sindéticas: “Aproximou-se e observou tudo ao redor, mas nada disse.”

Assindéticas: “Aproximou-se, observou tudo ao redor, nada disse.”

 

> Separar orações adjetivas explicativas e orações subordinadas substantivas e adverbiais antepostas ou intercaladas à oração principal.

Adjetivas explicativas: “Nem ele, que é o melhor da turma, quis participar do torneio de xadrez.”

Substantivas: “Ela só pensava em uma coisa, que não cederia.”

Adverbiais: “Se tudo der certo, voltarei hoje mesmo.”

 

> Separar orações reduzidas de gerúndio, de particípio e de infinitivo:

Gerúndio: “Chegando o diretor, avise-me.”

Particípio: “Terminada a conferência, foi nos oferecido um jantar.”

Infinitivo: “Ao rever o amigo, deu-lhe um longo abraço”

 

> Separar termos deslocados de sua posição normal na oração.

As laranjas, você chegou a comprar?”

 

> Responder sim ou não no início da frase.

Sim, vou a Paris.”

Não, estou sem condições de ir à Cidade Luz.”

 

> Indicar a supressão de um verbo subentendido na oração (recurso linguístico caracterizado pela elipse).

“Solteiro, pavão; noivo, leão; casado, jumento. (Solteiro foi; noivo era; casado é.)

 

NUNCA USE VÍRGULA PARA SEPARAR SUJEITO DO PREDICADO!

“João, gosta de Maria.” no

“João gosta de Maria.” yes

 

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