22/08/2019 às 13h19min - Atualizada em 22/08/2019 às 13h19min

Tempo, tempo, tempo, tempo... compositor de destinos!

Glícia Moura - Portal Gurgueia

              Bem sabemos que a depressão tem componente genético, mas não podemos esquecer que o meio funciona como um “impulsionador” para o desenvolvimento dessa doença.

               Hoje acordamos com despertador, vivemos com o tempo cronometrado, deixar crianças em escola, trabalho, atender clientes, buscar crianças, resolver problemas de casa, etc....

                Sentimos necessidade constante de controlar uma coisa que não temos controle,e sim que temos que aprender a administrar, o famoso TEMPO, que como já disse Caetano Veloso, é o compositor dos destinos.

             Diante dessa correria, temos nos exigido cada vez mais e por sua vez também exigido das pessoas com quem convivemos. Essa falta de tempo me preocupa em relação a duas situações que andam acontecendo rotineiramente conosco.

                Uma é; como corremos bastante, estamos passando cada vez menos tempo com os nossos filhos, e essa ausência queremos suprir com presentes e permitindo que eles façam tudo, para que se sintam bem e realizados. Com isso vão crescendo sem ouvir não, sem se frustrar e se achando o “centro do universo”, nós pais, ficamos com o pensamento de não deixar que os nossos filhos passem pelo que a gente passou e terminamos por esquecer que só somos quem somos hoje, pelas experiências difíceis que vivemos e enfrentamos.

                Então criamos pequenos “reis” e “rainhas” que não ouvem “NÃOS” e por consequência não sabem lidar com limites e frustrações, enquanto estamos por perto, tudo bem, mas quando eles criam asas...saem do nosso controle? Ah! Infelizmente esses limites são impostos pela vida e ela, não é tão sutil quanto a gente (pais), ela ensina de qualquer maneira, e nossos “reis e rainhas” começam a receber os “NÃOS” vindos de qualquer maneira (ex: você não se encaixa nesse perfil, eu não quero namorar você, está demitido, não foi aprovado, etc.) e não sabem como reagir diante dessas situações, podendo desenvolver episódios ansiosos, depressivos e até ideação suicida.

                A outra situação que tem me preocupado bastante em relação ao tempo é que por causa da falta dele não nos permitimos elaborar determinadas experiências negativas de nossa vida como: o fim de um relacionamento, a perda de um emprego, a morte de um ente querido, uma mudança de fase na vida. Ao final de pouco tempo, um mês, por exemplo, estamos nos exigindo que estejamos bem, dormindo bem, nos alimentando bem. O que é isso? Não somos máquinas!

                Esse bendito tempo que a gente tanto quer e se cobra, não nos permite perder uma noite de sono (o que é normal se estivermos preocupados ou passando por alguma situação difícil), nos exigimos estar bem o tempo todo, todos os dias, estar dispostos, felizes, bonitos, bem humorados, como se não fossemos humanos e sim robôs. Quando não conseguimos vem as tais DEPRESSÃO, ANSIEDADE. As pessoas estão esquecendo de que são seres humanos, que sentem, que erram, que choram, que por dia acordam sem vontade e isso é completamente normal.

                Estão vivendo a mercê de uma sociedade que impõe como se deve viver e como se deve reagir a toda e qualquer situação, que faz julgamentos e exige comportamentos e quando não nos adequamos somos deixados de fora e por vezes adoecemos.

                Daí eu te pergunto, que destino você quer compor com o tempo que você tem?

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