SUL DO PIAUÍ

São Gonçalo: Rompimento de bacias de contenção de parque solar causa destruição
Moradores de São Gonçalo do Gurgueia vivem drama pela segunda vez e relatam prejuízos nas atividades que realizam voltadas à agricultura familiar




Foto: Piauí Hoje

As chuvas deste início de ano romperam as bacias de contenção do parque solarSão Gonçalo e as águas invadiram as propriedades dos moradores das comunidades Grotão da Lapa, Buritizinho e Lapa, localizadas a três, seis e nove quilômetros, respectivamente, do centro de São Gonçalo do Gurgueia, município situado no extremo sul do Piauí, a 798 quilômetros de Teresina. O rompimento aconteceu na quarta-feira (05) da semana passada.

Diversos prejuízos foram contabilizados pelas famílias que moram no entorno da Serra da Santa Marta, onde o parque está sendo instalado pela Enel Green Power, desde morte de gados a destruição de plantações de milho e melancia, que seriam comercializadas no período da Semana Santa em abril. O parque fica em uma região elevada, no alto da serra, de onde a enxurrada desce e atinge as propriedades ao redor.

Cerca de 30 famílias residem na região e de acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente da cidade, Edilberto Gonçalves Nobre, não há riscos de morte. "Não há risco, mas as águas podem atingir a casa do senhor Oscar Reis. As águas estão escoando de forma anormal atingindo as nascentes do Boqueirāo dos Macacos, do Buritizinho, do Buriti do Meio e toda borda da serra do lado destas localidades", esclareceu.

Com medo de perder totalmente os rebanhos, os agricultores remanejaram o gado para outros locais. “Fizeram umas represas, as represas estouraram e foram parar no [rio] Gurgueia, com isso tivemos gado morto atolado na areia, tivemos que transferir para outra área porque o gado vai beber água [no rio] e atola na areia da lama”, explica um dos moradores afetados com a situação, que temendo represália, preferiu não se identificar.

Outro estrago apontado pelos sãogonçalenses é o assoreamento do Rio Gurgueia, que banha e dá nome ao município. O processo desencadeado com a queda d’água provoca o acúmulo de detritos, terras e soterra o aquífero, que vem sendo preservado geração após geração pelos residentes da localidade há pelo menos 150 anos.
 
“[O rompimento] acabou com os brejos, com as nascentes de rios que tinham dentro das propriedades, aterrou, tem lugar que tem quase dez metros de altura de areia”, revela o morador.
 
BACIAS DE CONTENÇÃO PARA ÁGUA PLUVIAL
 

A inclusão de bacias de retenção em projetos de drenagem tem a vantagem de reduzir o pico do escoamento, evitando perturbações como inundação e degradação de terrenos e habitações, reduzir a carga de contaminante do escoamento, controlar a erosão, melhorar a paisagem, recarregar os aquíferos, entre outras aplicações.
 





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