GERAL

A atuação da UFPI na apicultura do estado




Foto: Reprodução Google

O Piauí é atualmente o terceiro maior produtor de mel do país. A região semiárida, que é característica  do estado, é um grande polo de produção, destacando-se como detentora de floradas nativas, isentas da ocorrência de monoculturas e dos impactos da utilização de agrotóxicos. 

 
A apicultura garante emprego e renda para muitas famílias campesinas. No entanto, são muitos os desafios que a atividade enfrenta todos os anos, especialmente no que se refere à manutenção dos enxames durante o período seco, à valorização e qualidade dos produtos apícolas e quanto ao aprimoramento técnico dos apicultores. Nesse sentido, a equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí tem sido fundamental, tanto em relação às pesquisas realizadas, quanto na formação de técnicos, atuando também por meio de seus projetos de extensão em várias frentes no sentido de melhorar os índices de produtividade das colmeias e a conservação das espécies de abelhas nativas. 

 
Em Teresina, o Prof. Dr. Darcet Costa Souza está há mais de 30 anos à frente do Setor de Apicultura do Departamento de Zootecnia da UFPI e tem atuado na formação de diversos estudantes dos cursos do Centro de Ciências Agrárias do Campus Ministro Petrônio Portella, inclusive no Programa de Pós-Graduação em Produção Animal. 


Segundo o Prof. Dr. Darcet, a Universidade tem se preocupado com a questão do manejo das abelhas na região semiárida. "Nós temos trabalhado na linha de sombreamento, disponibilidade de água, termorregulação, melhoramento e produção de rainhas, que são fatores imprescindíveis para que tenhamos a possibilidade de potencializar a melhoria da produtividade nos apiários no campo. Auxiliamos também na orientação de associações e cooperativas, contribuindo dessa forma com o setor produtivo diretamente e indiretamente através da formação de recursos humanos, orientamos teses de mestrado e doutorado na Instituição, contribuímos para a formação de  engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e  médicos veterinários, que passam pelo setor de Apicultura e têm a possibilidade de ganhar informação, aprenderem um pouco mais, e muitos deles hoje prestam serviços ao setor apícola estadual",  explica.

 
O professor Darcet participou de vários projetos financiados, a exemplo do projeto “Mel com qualidade”, em parceria com o SEBRAE e com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio da Superintendência Federal de Agricultura (SFA/MAPA), colaborando sobremaneira para que a Cooperativa Mista de Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (COMAPI) alcançasse os índices de qualidade necessários para sua inserção no mercado externo. Hoje, a Cooperativa exporta grande parte de sua produção de mel para os Estados Unidos e Europa. O professor segue atuando em projetos de extensão, pesquisa e ensino e tem assento na Câmara Setorial de Apicultura do Estado colaborando institucionalmente para o estabelecimento de políticas públicas voltadas para a apicultura.



O Prof. Dr. Laurielson Alencar, Vice-Diretor do Colégio Técnico de Floriano (CTF), também faz parte da referida Câmara Setorial e é membro da Comissão Técnico Científica da Confederação Brasileira de Apicultura na área de educação, onde atua como coordenador Geral da Rede e-Tec Brasil/UFPI. O professor concentra seus esforços na profissionalização dos estudantes e no aprimoramento técnico dos apicultores, tendo sido responsável junto com os professores dos demais campi da UFPI pela formação da primeira turma do Brasil de técnicos em Apicultura. Também atua como colaborador na orientação de estudantes de graduação e pós-graduação na UFPI. 
 

Na área de extensão, é responsável pela coordenação do Projeto “Remoção de enxames de abelhas africanizadas das zonas rural e urbana de Floriano”, e com sua equipe de alunos do CTF, tem prestado um serviço importante para a sociedade, já que as abelhas africanizadas, quando presentes especialmente em áreas urbanas, podem representar riscos de acidentes às pessoas.
 

O Prof. Laurielson coordenou em 2019 o  XV Seminário Piauiense de Apicultura no campus de Floriano e contou com o apoio dos demais professores da apicultura da UFPI e dos pesquisadores da EMBRAPA para a organização do evento. Vale ressaltar que os professores da área de apicultura da UFPI sempre estiveram na organização desse importante seminário estadual.



 

"Nós realizamos ações de ensino, pesquisa e extensão pensando na melhoria da produção e qualidade de mel do Piauí. Também estimulamos a diversificação da produção apícola, orientando os apicultores sobre a produção do pólen e do própolis, realizamos atendimento técnico aos apicultores, transferindo as tecnologias geradas pela  UFPI e EMBRAPA. Também elaboramos e coordenamos o Projeto Jovem Empreendedor Rural. Ex-alunos dos cursos técnicos em Agropecuária e Apicultura recebem um kit apícola, contendo macacão, colmeias, fumigador, para eles iniciarem a criação. Além dos ex-alunos, também já beneficiamos várias famílias de agricultores familiares com esse projeto. Inclusive, fomos premiados em um concurso feito pelo SEBRAE no ano passado, com o Prêmio SEBRAE Educação Empreendedora”, ressalta o Prof. Laurielson.

 


Dentre as ações realizadas está a capacitação do corpo de bombeiros de Floriano e de funcionários da Secretaria de Meio Ambiente, que ocorreu  no ano passado. "O objetivo do curso foi de formação para captura de enxame de abelhas africanizadas. Outra ação importante foi a realização do primeiro curso técnico presencial em apicultura do Brasil. Este curso foi uma realização do Colégio Técnico de Floriano, em 2013. Em 2014, realizamos o primeiro curso em Técnico em Apicultura semipresencial, nos polos de Picos, Simplício Mendes e São Raimundo Nonato", destaca.


 
Já no extremo Sul do estado, o Prof. Dr. Sinevaldo Moura, do Campus de Bom Jesus, atua na formação de estudantes dos Cursos de Zootecnia, Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal, orientando estudantes de Iniciação Científica e de Pós Graduação, executando pesquisas voltadas para o desenvolvimento da apicultura. O professor faz parte de comissões nacionais para a elaboração de legislações voltadas para a qualidade do mel. Além disso, atua na profissionalização de apicultores e técnicos, promovendo dessa forma, o aprimoramento técnico da atividade na região.



"A apicultura da UFPI está presente em Teresina, Picos, Floriano e Bom Jesus, atuando na formação de recursos humanos (do segundo ao quinto grau), no ensino, pesquisa e extensão. A apicultura da UFPI, tem papel importante na atividade apícola nacional, na produção de pesquisas de interesse para a atividade apícola, subsidiando ações de ensino e extensão ao longo de três décadas. Vale ressaltar que contribuiu diretamente na produção e discussão de legislação específica nacional, além de materiais de referência nacional, destacando: os manuais de Boas Práticas Apícolas, Manual do Agente de Desenvolvimento Rural (ADR-APIS), além da formação direta de multiplicadores, apicultores e técnicos em todo o território Nacional. Mesmo sendo todos da mesma área de atuação, formamos uma equipe multidisciplinar dentro das especificidades da apicultura, sempre preocupados em levar as informações produzidas na academia de forma rápida e precisa, conseguindo atuar em toda a cadeia produtiva da atividade. Mesmo que muitos apicultores não saibam, muitas informações que eles recebem e praticam na apicultura brasileira, a exemplo das Boas Práticas Apícolas, tem a nossa contribuição enquanto UFPI. Esse é o papel da academia: produzir, estruturar e divulgar o conhecimento para que ele se torne parte do cotidiano e da melhoria da atividade apícola", afirma.


 
Em Picos, a Profa. Dra. Juliana Bendini coordena o Grupo de Estudos sobre Abelhas do Semiárido Piauiense (GEASPI) e o Espaço de Convivência com o Ambiente Semiárido (e-Casa), no campus Senador Helvídio Nunes de Barros. Tem trabalhado também orientando pesquisas a nível de graduação e coordena atualmente o projeto PIBIC “Efeito da oferta interna de água em colmeias de abelhas africanizadas como estratégia de manutenção dos enxames durante o período de estiagem no semiárido piauiense”, pensando dessa maneira, em alternativas simples para a convivência com o semiárido no que se refere à apicultura.
 


Juntamente com a Profa. Dra. Maria Carolina de Abreu, a Profa. Juliana vem investindo no levantamento de plantas importantes para a produção de mel e recentemente as duas biólogas se uniram ao Prof. Me. Francisco Imperes Filho e seus alunos do Curso de Sistemas de Informação/ CSHNB para o desenvolvimento do SISPOL : Sistema de Pólens do Piauí. 
 


“O SISPOL conta atualmente com informações de 41 espécies de plantas apícolas da Caatinga e seus grãos de pólen. É importante ressaltar que o estudo dos grãos de pólen presentes em amostras de mel permite a determinação da origem botânica do produto. O sistema apresenta também a caracterização físico-química e melissopalinológica de amostras de mel provenientes do semiárido. Assim, a disponibilização dessas informações contribui para a realização de pesquisas sobre o mel produzido no Piauí, além de colaborar com empresas e cooperativas do setor apícola no que se refere às exigências do mercado externo quanto à origem do produto”, destaca a Profa. Juliana.



Todos os professores da área de apicultura da UFPI têm ações voltadas também para a conservação das abelhas, que devido às reiteradas mortes causadas pelas queimadas e pelo corte ilegal de árvores no estado, cada vez mais frequentes, essas ações ganham urgência. Nesse sentido, a Profa. Juliana em Picos coordena os projetos de extensão “Meliponário didático” e “Arraial das abelhas solitárias” estabelecidos no Espaço de Convivência com o Ambiente Semiárido (e-Casa ).
 

"Temos como objetivo sensibilizar estudantes da rede de ensino básico da região de Picos quanto à importância das abelhas. O referido espaço já recebeu aproximadamente 600 visitantes e as ações de educação ambiental geram também trabalhos de pesquisa que são apresentados em congressos regionais, nacionais e internacionais. O Prof. Darcet em Teresina coordena o projeto de extensão “SOS abelhas sem ferrão” e realizou com seus alunos o levantamento dos criadores de abelhas nativas (meliponicultores) da capital. Já o Prof. Laurielson recentemente montou um meliponário e pretende também receber estudantes da região de Floriano para conhecerem e preservarem as abelhas”, explica a professora.



Vale ressaltar que os quatro professores dos referidos campi são parceiros em diversas ações que resultam em publicações e projetos, enaltecendo o nome da Universidade Federal do Piauí nacionalmente.
 

De maneira geral, ao longo de mais de 30 anos, por meio do pioneirismo do Prof. Dr. Darcet Costa Souza,  que inclusive participou da formação dos demais professores citados na matéria, a Universidade Federal do Piauí colabora amplamente para a consolidação da apicultura do estado, atuando nos três pilares da Universidade: ensino, pesquisa e extensão.

 



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